domingo, 26 de agosto de 2007

O FUTURO É DOS IGNORANTES?


Outro repeteco, matéria do jornal RaioX de 2003. A foto é da Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro, um verdadeiro tesouro deste país.


Tempos atrás me envolvi numa polêmica com um indivíduo que me criticou abertamente porque, segundo ele, ao defender o rigor do Exame de Ordem da OAB, eu estaria "fora de uma realidade" que eu não queria admitir.

Ele saiu em defesa de um terceiro que declarava se recusar a pres­tar o "esame" da OAB, por achá-lo fraudado e difícil demais. Disse que ainda que não há pro­blema algum em um advogado que não saiba escrever (especi­almente a palavra exame), por­que a Justiça "é feita pelos juí­zes" e estes sim é que têm o de­ver de estudar e ter cultura.

Diante dos "argumentos" do meu detrator, deixei a discus­são de lado, porque constatei ser ele um ignorante orgulhoso de sua condição. Em outras pala­vras, o pior tipo de ignorante.

Não sei se é o momento que vive o país, que passa por uma epidemia de burrice e vulgari­dade (vide: o funk carioca, pa­gode, Big Brother, os sertanejos de chapéus atolados, o excesso alcoólico que anda sendo tole­rado pelas pessoas como coisa normal, etc...) e é governado por um partido onde as luzes inte­lectuais deram lugar à politica­gem mais rastaqüera. Mas tenho constatado quase todos os dias a defesa da igno­rância, porque, segundo os que a defendem, ela é uma realidade da qual não se pode fugir.

Sinceramente, todas, absolu­tamente todas as coisas boas da humanidade saíram das mentes brilhantes de pessoas cultas, es­tudiosas e capazes. A religião católica são seria o que é sem a pregação filosófica e altamente estruturada de Santo Agostinho e São Tomás de Aquino. O evan­gelismo universal não existiria sem Calvino e Lutero. O pro­gresso tecnológico, científico e médico não existiria sem pessoas que passaram a vida estudando, como Isaac Newton, Darwin, Galileu Ga­lilei, Da Vinci, Albert Sabin, Marie Curie, Einstein, Freud, etc... Ademais, o que seria da cultura universal sem Cer­vantes, Shakespeare, Homero, Balzac, Mozart, Strauss e Be­ethoven, entre outros milhares de estudio­sos geniais da raça hu­mana?

Dias atrás, o professor Renê Dotti, em entrevista para a Gazeta do Povo e do alto de toda a sua cultura e capacidade, tratando da advocacia defendeu a idéia ab­solutamente irretocável de que todo o bom advogado não só es­tuda a vida inteira adquirindo formação jurídica, ao mesmo tempo em que adquire cultura geral, sem a qual é incapaz de atacar os grandes problemas de­correntes da interpretação da Lei ou mesmo da sua ausência sobre certos assuntos.

Constatei estar em boa companhia em minhas opiniões.

Mas vamos mais longe. A China, talvez o país de economia pais pujante da atualidade, in­veste bilhões em educação e cultura, enchendo suas 1450 uni­versi­dades de mestres e doutores vin­dos do exterior, universali­zando ao máximo o saber e a cultura, mesmo que isso signifi­que, no médio prazo, o fim do comu­nismo, que morreu no oci­dente entre outras causas, justa­mente porque fortaleceu as polí­ticas educacionais e culturais que formaram os líderes da oposição que lentamente demoliu a Cor­tina de Ferro.

Mais que isso, o mundo foi salvo do nazismo, cujo líder má­ximo era um indivíduo comple­tamente avesso à cultura (man­dou queimar bibliotecas inteiras em praça pública e proibiu a arte moderna, chamando-a de "dege­nerada"), basicamente pela per­severança, cultura e sagacidade de Winston Churchill, um dos mais brilhantes políticos e histo­riadores de todos os tempos (prêmio No­bel de Literatura em 1954), que muito, mas muito antes do início da guerra, já apontava que o na­zismo era um regime de igno­rantes que poderia destruir o mundo, como, consta­tou-se, quase conseguiu.

Chego à conclusão de que nunca estive fora da realidade.

Assim como bons advogados são fruto de estudo e sólida for­mação jurídica e cultural, de um tal modo que não é o Exame de Ordem (cujo conteúdo é o óbvio jurídico, o mínimo indispensável para se peticionar em um tribu­nal) que deve assustar os bacha­réis capazes, o mundo só é o que é graças à inteligência e ao con­junto de sua cultura.

Negar isso é admitir uma era de trevas, uma segunda Idade Média (se bem que esta eu cito como símbolo pois, na prática, foi também uma época de grandes conquistas) que levaria o mundo a perder todas as coisas boas e úteis, as quais nem sempre per­cebemos, não foram criadas por ignorantes defensores da propa­gação da burrice.


Dicas de leitura sobre cultura geral:





- GAARDNER, Jostein - O Mundo de Sofia - Uma Aventura na Filosofia.
- FRIEDMAN, Thomas L. - O Mundo é Plano.
- MANGUEL, Alberto - Uma História da Literatura.
- TRUYOL Y SERRA, Antonio - História da Filosofia do Direito e do Estado.
- LACEY, Robert - O Ano 1000.
- FRUGONI, Chiara - Invenções da Idade Média.

domingo, 19 de agosto de 2007

O REI ELVIS - REPETECOS



Estas matérias, também são repetecos, ainda do tempo em que eu mantinha o blog no zip.net. O texto principal foi publicado no jornal Raio X em setembro de 2002.

Em 16 de agosto completou-se 30 anos da morte de Elvis Presley, em meio a um sem número de especiais de TV, lançamentos e relançamentos de CD(s), reportagens de revistas e jornais e reprises de filmes estrelados pelo caipira simpático de Tupelo, Mississipi. Enquanto para a maioria a data é para lembrar da carreira do primeiro "superstar" da história, para uns poucos é feita para criticar sua excessiva mitificação obviamente montada com vistas aos interesses comerciais de Elvis Presley Enterprises Inc., capitaneada pela ex, digamos, "rainha" Priscila e de propriedade da "princesa" Lisa Marie.

Independentemente disso, como fã assumido prefiro apreciar a lembrança do grande cantor que foi Elvis Presley, que não é mito, mas realidade em centenas de gravações e cuja voz só teria comparação com a de outro semi-deus do Olimpo musical, Frank Sinatra. Não se trata de comparar os dois, mas para mim toca muito mais fundo na alma ouvir Elvis porque ele não era um cavalheiro, tinha pouca classe e "savoir faire" ao contrário da sofisticação do "old blue eyes" Sinatra, que nasceu para brilhar nas altas rodas.

Elvis se identificava com o povão de uma forma sadia. Era um caipira simpático, patriota que adorava os pais e os amigos e que não mudou nem quando ficou milionário da noite para o dia. Seus valores se aproximavam dos que nós, pessoas comuns, recebemos de nossos pais e, quando ouvimos uma música qualquer cantada por ele, sentimos a emoção da sua voz e a certeza de que ele efetivamente se identifica com a melodia, porque ela tem haver com aquilo em que ele acreditava, ao contrário do que acontece com Frank Sinatra, cujas interpretações eram irretocáveis e inesquecíveis, mas nem sempre guardavam um prazer intrínseco (Muitas vezes beiravam a obrigação. Os biógrafos dizem que ele, Frank, detestava a canção "Strangers in the Night" que cantava em todos os shows!). Não que isso diminua as saudades de Sinatra, que também são grandes, mas Elvis é Elvis: Melodioso, emocionante e difícil de comparar com quem quer que seja!

Quando eu era adolescente, desprezava a voz do "rei". Do alto da falta de inteligência inerente a quase todos os indivíduos de idade até 20 anos, eu achava que Elvis era coisa antiga e sem graça, uma curiosidade musical, quase igual a um velho fonógrafo de corda. Afinal, como é que alguém que pesava toneladas e se vestia como super-herói de desenho animado poderia cantar algo que se identificasse com o rock e com a juventude? Como alguém tão cafona e que fez filmes tão ruins poderia ser considerado mito? Só que eu pensava assim, porque na minha vida inteira só tinha visto os filminhos dele no Havaí, cercado de garotas bonitas e cantando baladas sem graça com cara de conquistador barato. Um dia, passada a adolescência, meu irmão trouxe para casa uma fita K7 com as melhores músicas do rei, incluindo "Suspicious Minds", "Never Ending" e "Kiss me Quick" e, com uma única audição mudei completamente o meu conceito sobre o rei do rock passando a apreciar aquela voz firme, a afinação e principalmente, o modo com que ele criava uma versão própria para a composição, como se esta ganhasse um co-autor no seu intérprete, a ponto de, na maioria dos sucessos dele, dizermos que é música do Elvis , muito embora seus conhecimentos de teoria musical fossem mínimos.

Elvis é música de altíssima qualidade e em estado puro São poucos os indivíduos que revolucionam a sua arte e Elvis foi um deles, estando, na música, no mesmo rol de Bach, Mozart, Beethoven e, mais contemporâneos, Ella Fitzgerald, Ray Charles, Beatles e Frank Sinatra. Por isso, pouco importa se a imagem dele hoje é meramente comercial, se ele virou um deusinho idolatrado por vender discos e se sua obra rende horrores enriquecendo um batalhão de pessoas. Sua voz eternizada e sua memória representa uma parte daquilo que a humanidade tem de mais bonito: A possibilidade de alguém entrar para a história sem ser rico, nobre ou estudado, apenas usando um dom mágico da obra de Deus que cada um de nós é, no caso, a voz que me deixa emocionado sempre que ouço Can't Help Falling in Love.

FROM ELVIS IN MEMPHIS


O "rei" deixou a boa música para se dedicar aos filminhos, que geravam LP(s) ruins ("Blue Hawaii" é uma droga, incrível que seja gravação do "rei", embora salve-se Can't Help Falling in Love), mas geravam dinheiro e fizeram dele o primeiro "superstar" da história.

Porém, chegou o dia em que o "rei" cansou daquela porcaria toda e resolveu voltar pros braços do seu povo. Daí, minha gente, veio o "Especial da Volta", para o qual ele, nosso ídolo, ensaiou à exaustão, emagreceu e apareceu na TV, ao vivo, em cores, um quase 40tão deslumbrante pras mocinhas e exemplar para nós marmanjos. E que voz!!! E que repertório!!! Que presença e que amor pelo seu público, numa ocasião em que a NBC teve 95% (isso mesmo, 95%) de audiência "coast to coast" nos EUA!

E gerou esse LP da capa aí de cima, uma pérola, maravilhoso, certamente o melhor trabalho do ELvis, e o meu preferido, com músicas ultrapassando o espetacular. Quem puder, ouça, principalmente "Gentle on my Mind", "Only the Strong Survive" e "Any Day Now", sem contar "In the Ghetto" onde o "rei" faz um "revival" em homenagem aos velhos tempos de iniciante.

Simplesmente maravilhoso, Elvis em sua essência: boa música! Recomendo!

Mais sobre Elvis:

Livros em Português

- MUGNAINI JR, Ayrton - Elvis Presley - Vamos dar uma Festa! - Nova Sampa Diretriz Editora Ltda, São Paulo, 1993.

- BRITO, Mauricio Camargo - Elvis - Lyra Editora, São Paulo, 2005.

CD(s) Inesquecíveis

- From Elvis In Memphis (1969).
- Aloha from Hawaii via Satellite (1973).
- Hisd Hand in Mine. (1960)
- Promised Land (1975).
- 50,000,000 Elvis Fans Can't Be Wrong (Coletânea de compactos, 1959).
- Good Rockin' Tonight (Caixa brasileira com 4 CD(s), 1989).


Na blogosfera

Na blogosfera, não tem ninguém que entenda tanto de ELvis quanto a Magui, em http://somagui.zip.net, onde ela faz linkagem para vários sites específicos sobre o rei. Vale a pena conferir.

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

WE SHALL NEVER SURRENDER



Há quem prefira tornar relativos certos fatos históricos para diminuir ou até demonizar a figura histórica ímpar de Winston Churchill. Dizem que ele foi o responsável direto pela divisão do mundo em dois e consequentemente pela Guerra Fria. Apontam seus erros diplomáticos para explicar o caos hoje instalado no Oriente Médio e diminuem sistematicamente sua influência na moral do povo inglês naqueles trágicos anos entre 1939 e 1944.

O fato, porém, é que Churchill foi um homem público excepcional numa época de democratas gigantes como ele, Roosevelt e De Gaulle, militares destemidos como Eisenhower, McArthur, Montgomery, Yamamoto e Rommel e ditadores loucos e cruéis tanto quanto apoiados incondicionalmente pelos seus povos, como Hitler, Mussolini e Stálin.

Churchill, nascido e criado aristocrata teve formação militar no 4º regimento de hussardos (cavalaria). Foi herói na Guerra dos Boeres onde empreendeu talvez a fuga mais espetacular de um prisioneiro na história de todas as guerras. Também jornalista que cobriu várias das batalhas coloniais, curiosamente, ficou famoso como escritor ao publicar a biografia de seu pai, Lorde Randolph, político influente de sua época. Eleito várias vezes para a Câmara dos Comuns, iniciou sua carreira entre os conservadores, passou para o lado dos Liberais (whigs) e depois, voltou às fileiras torys. Foi ministro do comércio, do interior (o “home office”), “chanceler do exchequer” (algo como ministro da fazenda) e “primeiro lorde do almirantado” (comandante da marinha). Caiu no ostracismo político depois do erro monumental cometido no estreito de Dardanelos, batalha que quase acabou com as pretensões inglesas e aliadas na 1ª Guerra e que custou a vida de milhares de militares do reino.

Durante o ostracismo, mas ainda na Câmara dos Comuns, escreveu vários livros, como The World Crisis, My Early Life, The Easten Front. Porém, foi o tempo em que se convenceu do perigo que o comunismo e o nazismo representavam para as já então avançadas sociedades capitalistas e liberais da Europa. Mais do que isso, nunca deixou de alertar a nação para tanto, mas concentrando-se no combate sem tréguas ao nazismo, que desde cedo identificou como um regime cruel e desumano.

Diz o historiador Andrew Roberts, que naquela época, a comparação de Churchill com Hitler era singular: Churchill um velho aristocrata, conservador, militarista fracassado, beberrão e representante de tudo o que era ultrapassado na sociedade européia do entre-guerras, que discutia o efetivo papel das monarquias, mesmo que constitucionais, tendia ao isolacionismo que impediria a morte de milhares em guerras destituídas de sentido e procurava uma forma de impedir a expansão do comunismo. Hitler, por sua vez, na década de 30 era um revolucionário de vanguarda, que mudou a face de um país destroçado transformando-o numa super-potência industrial e militar, guiando o seu povo para um futuro glorioso por meio de anexações pacíficas de áreas de influência germânica e que representava um efetivo contraponto ao perigo mortal que vinha do leste gelado e tinha a face sinistra Stálin.

Aliás, não foram poucas as vezes que Churchill repetiu uma frase do Marechal Foch, da França, segundo a qual, os termos do Tratado de Versalhes representavam no máximo um armistício por 20 anos, como um alerta contra aqueles que acreditavam que a Alemanha aceitaria passivamente as humilhações que lhe foram impostas por perder a então chamada Grande Guerra.

E ao mesmo tempo ele identificou em Hitler uma personalidade instável e violenta, acompanhada de um séquito de loucos, partidários radicais de idéias escabrosas que punham em risco não apenas a liberdade do povo alemão, mas a integridade do mundo inteiro.

Em um país na época muito influenciado pelo isolacionismo da antiga colônia na América do Norte, em crise econômica e moral decorrente do fim gradual do seu império, e negligente com o equipamento de suas forças armadas por acreditar que uma nova guerra seria no máximo continental e isolada, Churchill soava como um neurótico a apontar fantasmas que não existiam e mesmo em defender um mundo que se encontrava nos seus estertores, o dos impérios coloniais.

Porém, em 1939, de berço esplêndido a Inglaterra caiu em pesadelo. Os esforços pacifistas fracassaram. Mesmo a boa intenção e vontade firme do então primeiro-ministro Neville Chamberlain com seu gabinete aterrorizado não convenceram Hitler, que celebrou um pacto militar com a Itália de Mussolini, entrou em acordo covarde com Stálin, atacou a Polônia e depois a a França e iniciou os preparos para a invasão da ilha que era o único obstáculo existente entre o nazismo e a hegemonia econômica e militar do mundo.

Então Churchill foi lembrado. Diz o mais renomado biógrafo dele, John Lukacs, que a Inglaterra estava por um fio. Se Hitler tivesse enviado um exército, seria plausível que não encontrasse grande resistência em um país cujos líderes não sabiam como agir, entorpecidos por uma série de conceitos que o ditador alemão pusera abaixo.

Mas a nação, não os políticos, reconheceu em Winston Churchill o líder de que necessitava. Os jornais passaram a citar seu nome e lembrar seus discursos e suas constantes discussões até mesmo com o próprio Partido Conservador. Em determinado momento ele foi chamado ao gabinete de guerra até que as dificuldades monumentais e os fatos isolaram a Inglaterra e derrubaram Chamberlain pela necessidade urgente de formar-se um governo de coalizão.

A Inglaterra encontrava-se só. Os EUA isolavam-se na América, a URSS omitia-se na Europa à guisa do pacto de não-agressão com Hitler, a França estava prostrada e a Alemanha, que contava com uma formidável máquina de guerra construída durante os anos de cegueira pacifista, ainda tinha no continente aliados formais, como a Itália e informais, como a Espanha. Porém, a vitória na guerra se iniciou naqueles dias trágicos, mais precisamente em 13 de maio de 1940 quando numa Câmara dos Comuns ainda dividida Churchill proferiu o célebre discurso do “Sangue, trabalho duro, suor e lágrimas” onde também reafirmou sua certeza acerca dos desígnios macabros dos nazistas que obrigatoriamente traçavam a vitória como único objetivo da nação “pois sem a vitória não há sobrevivência”.

Para se ter uma idéia do que Churchill representou àquele país e ao mundo naquele momento, é interessante ler uma passagem contada pelo biógrafo Roy Jenkins: “Churchill, o primeiro-ministro mais claramente da classe alta desde o fim do governo de Balfour, trinta e cinco anos antes, foi também aquele cuja autoridade mais proveio do clamor popular. No dia de sua recepção tão pouco entusiástica pela Câmara dos Comuns (mesmo esta tendo dado a seu governo um voto de confiança sem nenhuma dissidência), David Low, notável cartunista da esquerda dos anos de 1930 e 1940, publicou no Evening Standard um famoso desenho que formou opinião. Coisa rara, não continha nenhum tom de brincadeira. Era Churchill de mangas arregaçadas, marchando à frente, resoluto e seguido de Atltee, Bevin, Chamberlain, Greenwood, Halifax, Sinclair, Morrison, Eden, Amery, Duff Cooper, A.V.Alexander e uma multidão de seguidores anônimos, todos devidamente com mangas de camisa para o trabalho. “Todos com você, Winston” - era a legenda”. (*)

Tenho comigo que neste momento Churchill não representava apenas o Partido Conservador, nem a Câmara dos Comuns e muito menos o Governo de Sua Majestade. Churchill representava a nação inglesa que optou por não se acovardar e que preferiu as maiores provações à rendição a ponto de, em 04 de junho de 1940, com a humilhante retirada em Dunquerque, o primeiro-ministro lançar, não só em seu nome, mas em nome da Inglaterra, o desafio: “We shall never surrender” (Nós nunca nos renderemos!).

É verdade que tenho imensa admiração pela figura histórica de Churchill, que certamente, dentro da condição humana de todos nós, cometeu erros e até injustiças. Porém, quando a história da humanidade assim exigiu, ele foi o homem certo, no momento e local certos e mesmo com toda a pressão que isso pudesse representar para um alguém então quase septuagenário. Ele preferiu lutar antes de assumir a cômoda posição de dizer que havia avisado e zarpar para um exílio em outro continente.

Se fosse possível resumir a história de Churchill em uma única palavra, eu usaria a mesma que o escritor William J.Bennett usou em seu “Livro das Virtudes”:

CORAGEM!

(*) Churchill - Editora Nova Fronteira, 1ª Edição, 2ª Tiragem, 2002, p. 542.

Mais sobre Winston Churchill:

BALL, Stuart - Vidas Históricas da British Library - Winston Churchill.
Edição brasileira da Nova Fronteira. 2006

CHURCHILL, Winston Spencer - Memórias da Segunda Guerra Mundial.
Edição brasileira da Nova Fronteira, 1995.

JENKINS, Lord Roy - Churchill (Biografia).
Edição brasileira da Nova Fronteira, 2002.

LUKACS, John:

- Churchill - Visionário, Estadista, Historiador.
Edição brasileira de Jorge Zahar Editor, 2002.

- O Duelo: Churchill X Hitler.
Edição brasileira de Jorge Zahar Editor, 2002.

- Cinco Dias em Londres.
Edição brasileira de Jorge Zahar Editor, 2001.

ROBERTS, Andrew - Hitler X Churchill - Segredos de Liderança.
Edição brasileira de Jorge Zahar Editor, 2004.



Quero dizer aos meus leitores que esse texto, que não trata apenas de uma figura histórica, é justamente para tratar da coragem, pois percebi que o mundo em que vivemos hoje, é o paraíso dos covardes que se escondem atrás de gangues, de torcidas organizadas, de quadrilhas de traficantes, de movimentos sociais corruptos, de grupos terroristas e de partidos políticos mentirosos.